segunda-feira, 2 de março de 2015

Futebol, política e BBB



Semana passada vi a cena desagradável de xingamentos ao ex-ministro da fazenda Guido Mantega no Hospital Albert Einstein. Não sou defensor da política econômica de ministro algum desde que eu acompanho um pouco de política, porém fiquei impressionado com a reação de pessoas (possivelmente educadas e abastadas por estarem em um hospital desse porte) terem tido com a presença de um ser humano. Independente de quaisquer funções, emprego ou ex-emprego, é um semelhante falível que deve ser julgado igualmente a todos os demais.
Num artigo da Barbara Gancia ela considerou um absurdo esses insultos, pois o ex-ministro ainda não teve nenhuma acusação de desvios de verbas ou outra atitude passível de investigação. Ela ainda compara com Paulo Maluf, que condenado e procurado pela Interpol é bem acolhido em restaurantes, local onde possivelmente esses mesmos que agrediram verbalmente circulam garbosos, indiferentes ou até simpáticos ao deputado cassado e descassado.
Passei a divagar sobre essa cena, pois tivemos poucos ministros da economia/fazenda nessa “democracia “ recente, imaginei a situação da ex-primeira dama Ruth Cardoso entrando para fazer um cateterismo e o ex-presidente e ex-ministro FHC sendo com gritos de “vá se tratar no SUS”, afinal ele, como presidente da vez, deveria comandar as atitudes do ministério da saúde, e “com certeza” a saúde no sistema público era MUITO
melhor do que temos hoje.
Faço uma comparação estúpida entre o comportamento das torcidas de futebol radicais com o atual comportamento das pessoas de classe média, ambas detém a “verdade” sobre suas escolhas e o que não é parte do seu indubitável deve ser execrado. Isso gera cenas como a citada acima, de violência verbal gratuita sem intuito de demonstrar os erros do ex-ministro, apenas denegri-lo. Guardada as devidas proporções é similar ao que acontece quando um grupo de uma torcida encontra algum infeliz da torcida adversária e o espanca, simplesmente para evidenciar a falta de argumentos para justificar que seu time é melhor que outro.
Busco alternativas para acreditar que não seremos um país como Irã, Egito ou qualquer local onde o fundamentalismo predomine, mas o comportamento violento cada vez mais aceito e disseminado por terras brasilis deixa-me preocupado. Acredito que a educação seria uma forma de reduzir as tensões, construindo uma aceitação das diferenças de gênero, cor, credo, social, econômica, e muito poderia ser acelerado pela mídia eletrônica em função da sua velocidade, contudo vejo na página do portal UOL (um dos maiores e mais visitados) a lista das cinco notícias mais lidas com duas sobre BBB, uma sobre o aniversário de 15 anos da filha de uma atriz, uma sobre os bastidores da cena de sexo na TV, e obviamente, sobre a novela global...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Inspiração!!



Algo de estranho no ar. Já faz algum tempo alterno na vontade de voltar a ser mais ativo nos bares para resolver os problemas do mundo, ou ficar absorto em minha pseudo solidão. Aparentemente não havia motivação clara, mas algo me impelia a questionar e analisar melhor as informações diversas e desencontradas que lia. Coincidentemente, essas “crises” ocorreram em momentos que atravessei fases complicadas emocionalmente, que resultaram em uma doença psicossomática incurável que causa dores físicas lancinantes. Nesses intervalos de dores inenarráveis sinto desejo de deixar algum registro que possa inspirar alguma frase de efeito na minha lápide... felizmente as dores reduzem e a vida continua fugazmente, adiando qualquer iniciativa de me imortalizar.
Obviamente não quero comparar, mas lendo o texto do Oliver Sacks do NY Times solidarizei-me imediatamente aos sentimentos que ele descreveu, mesmo não tendo uma doença terminal, porém sabendo que terei dores eternas, animei-me a escrever esse texto como uma abertura dos trabalhos do blog, ainda na versão Beta.
Assim como ele, sinto uma enorme gratidão por tudo que já me aconteceu!
Mas diferentemente dele, ainda tenho tempo e gás para incitar pequenas discussões, ainda que não em mesas pegajosas de ambientes etílicos, e sim através de pequenos artigos camuflado pela grande rede digital. Quero saber o que meus amigos e amigas pensam sobre o que vivemos, assistimos e lemos, não como uma ação entre iguais, mas apresentando suas ideias para confrontar as diferenças, procurando compreendê-las. Vejam que isso não significa concordar com o outro, mas minimamente observar sob uma ótica diferente, despidos de pré-conceitos, agnosticamente. Podemos, assim, defender nossas opiniões e construir uma outra consciência que nos deixe mais compreensivos.
Oxalá essa forma de aproximar meus amigos, mesmo que seja permeado por uma grande distância física, desperte a vontade e coragem de nos expor através de ideias, abertos a receber críticas e nos tornar melhores!
Vejam os links das matérias sobre Oliver Sacks:


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

E fez-se a luz... ou não!

Caras e Caros,
Há tempos convivo com pessoas de classes sócio-econômicas diversas em função de trabalhar em um centro de pesquisas, prestar consultorias em empresas variadas e viajar toda semana, mantendo vidas distintas entre cidade grande e pequena comunidade, além de interagir com toda sorte de histórias de vida de passageiros e transeuntes de rodoviárias.
Em todos os ambientes existem aqueles que estão satisfeitos com a vida, aqueles que estão acomodados, os que estão descontentes e os que odeiam tudo e todos ao redor. Acredito que seja normal que haja essa diversidade de pensamento, mas os acontecimentos atuais, entre eles manifestações, atentados terroristas, violência urbana, mudanças climáticas, escassez de recursos naturais, corrupções, guerras religiosas e outras incoerências humanas, estão se tornando cotidianos e chegando a beira da banalidade.
Em tempos de ZapZap e Facebook as conversas e discussões tornaram-se rápidas, até mesmo efêmeras, quase não refletimos sobre as variadas piadas, vídeos e áudios, e perdemos a chance de aprofundarmos as nossas ideias e opiniões que em muitas oportunidades surgem de uma charge "inocente".
Tenho vivido em conflito visceral com minhas emoções e pensamentos... em qual momento perdemos a capacidade de nos ouvir e também aos outros? Desde quando a intolerância se instalou de forma arraigada impedindo a convivência pacífica entre pessoas de opiniões diferentes, deixando de ser um exercício de reflexão das diferenças e se tornando uma luta pela imposição de ideias, por vezes fútil e improdutiva?
Esse blog é a busca de uma alternativa para convivência de opiniões divergentes, de forma pacífica e educada, para que possamos expor nossas ideias, dispostos a aceitarmos e debatermos críticas, como um exercício político salutar.
Espero que essa iniciativa nos torne mais abertos a aceitar, mesmo que minimamente, pensamentos que não apenas os nossos. Espero também que curtam essa forma de expressão e participem com prazer!