Semana passada vi a cena desagradável de xingamentos ao
ex-ministro da fazenda Guido Mantega no Hospital Albert Einstein. Não sou
defensor da política econômica de ministro algum desde que eu acompanho um
pouco de política, porém fiquei impressionado com a reação de pessoas
(possivelmente educadas e abastadas por estarem em um hospital desse porte) terem
tido com a presença de um ser humano. Independente de quaisquer funções,
emprego ou ex-emprego, é um semelhante falível que deve ser julgado igualmente
a todos os demais.
Num artigo da Barbara Gancia ela considerou um absurdo esses
insultos, pois o ex-ministro ainda não teve nenhuma acusação de desvios de
verbas ou outra atitude passível de investigação. Ela ainda compara com Paulo
Maluf, que condenado e procurado pela Interpol é bem acolhido em restaurantes,
local onde possivelmente esses mesmos que agrediram verbalmente circulam
garbosos, indiferentes ou até simpáticos ao deputado cassado e descassado.
Passei a divagar sobre essa cena, pois tivemos poucos
ministros da economia/fazenda nessa “democracia “ recente, imaginei a situação
da ex-primeira dama Ruth Cardoso entrando para fazer um cateterismo e o ex-presidente
e ex-ministro FHC sendo com gritos de “vá se tratar no SUS”, afinal ele, como
presidente da vez, deveria comandar as atitudes do ministério da saúde, e “com
certeza” a saúde no sistema público era MUITO
melhor do que temos hoje.
Faço uma comparação estúpida entre o comportamento das
torcidas de futebol radicais com o atual comportamento das pessoas de classe
média, ambas detém a “verdade” sobre suas escolhas e o que não é parte do seu
indubitável deve ser execrado. Isso gera cenas como a citada acima, de
violência verbal gratuita sem intuito de demonstrar os erros do ex-ministro,
apenas denegri-lo. Guardada as devidas proporções é similar ao que acontece
quando um grupo de uma torcida encontra algum infeliz da torcida adversária e o
espanca, simplesmente para evidenciar a falta de argumentos para justificar que
seu time é melhor que outro.
Busco alternativas para acreditar que não seremos um país
como Irã, Egito ou qualquer local onde o fundamentalismo predomine, mas o
comportamento violento cada vez mais aceito e disseminado por terras brasilis
deixa-me preocupado. Acredito que a educação seria uma forma de reduzir as
tensões, construindo uma aceitação das diferenças de gênero, cor, credo,
social, econômica, e muito poderia ser acelerado pela mídia eletrônica em
função da sua velocidade, contudo vejo na página do portal UOL (um dos maiores
e mais visitados) a lista das cinco notícias mais lidas com duas sobre BBB, uma
sobre o aniversário de 15 anos da filha de uma atriz, uma sobre os bastidores
da cena de sexo na TV, e obviamente, sobre a novela global...
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